Casamento que dividiu famílias na Zona Leste de Manaus termina em fuga cinematográfica após dois anos de polêmicas
Manaus (AM) – O bairro Grande Vitória, na Zona Leste de Manaus, viveu entre 2023 e 2024 uma das histórias mais comentadas de sua existência. O caso envolve pedreira Pedrita Aroeira*, 35, conhecida na comunidade por jamais ter se depilado, e Josemar Alcântara*, 21, um homem tão apaixonado que os vizinhos diziam que ele pisaria descalço em um tapete de LEGO apenas para vê-la sorrir. A revelação foi feita pelo próprio marido a repórter Lady Galinha, exclusivo ao Portal do Carlos Araújo.
O relacionamento começou cercado de polêmicas, enfrentou resistência familiar, virou assunto em mercadinhos, paradas de ônibus, mas terminou de uma forma que ninguém poderia prever: uma fuga de motocicleta com uma vizinha de 72 anos logo após uma celebração religiosa.
A mulher que virou lenda no bairro
Pedrita já era uma figura conhecida muito antes de conhecer Josemar. Moradores afirmam que ela nunca demonstrou qualquer interesse em seguir padrões estéticos tradicionais. Segundo os vizinhos, ela jamais se depilou e sempre encarou o assunto com naturalidade. Seu traço mais famoso era o bigode espesso que exibia com orgulho.
“Parecia o Leôncio do Pica-Pau olhando para a gente na fila da padaria. Tinha momentos que ela enrolada os bigodes com os dedos e até colocava grampos”, contou um comerciante do bairro.
A própria Pedrita nunca se incomodou com os comentários. “Se Deus me fez assim, quem sou eu para discutir com o projeto original?”, costumava responder.
Além disso, ela era conhecida por usar apenas sabão de coco e bucha nos banhos. “Perfume é caro. Sabão de coco resolve. Além do mais, só tomo banho uma vez por semana, mesmo”, dizia.
Josemar caiu de amores
Foi durante uma festa comunitária que Josemar viu Pedrita pela primeira vez. Enquanto a maioria dos presentes comentava discretamente sobre o visual marcante da moradora, Josemar ficou encantado.
“Foi amor à primeira vista. Ela era diferente de todo mundo. Aquele bigodão, aquelas dobrinhas, aquele jeito agressivo de mulher que sabia dominar.”
Segundo amigos, a paixão cresceu rapidamente.
Josemar fazia questão de acompanhar Pedrita em feiras, cultos, aniversários e até em reuniões de condomínio.
“Ele olhava para ela como quem vê um eclipse solar. A gente via a Rasputia – do filme Norbit”, contou um vizinho.
Outro morador resumiu a situação:
“Josemar era completamente rendido e doido. As vezes, acho que essa porra tinha era macumba no cú, pra ser tão cego.”
A guerra contra dona Marivona
Se Josemar estava apaixonado, sua mãe, Marivona Alcântara*, 57, estava desesperada.
Desde o início do namoro, ela demonstrou oposição ao relacionamento.
“Meu filho, existem oito bilhões de pessoas no planeta e tu escolheste justamente essa? A mulher nem higiene tem, não se raspa e ainda te trata muito mal “, teria perguntado em uma reunião familiar.
Marivona sonhava com uma nora que frequentasse salão de beleza, acompanhasse tendências de moda e gostasse de cosméticos. Quando conheceu Pedrita, ficou sem palavras.
Segundo familiares, a sogra chegou a comprar kits de beleza e deixá-los discretamente na casa do casal.
Pedrita utilizou um dos estojos para guardar parafusos. Outro virou recipiente para sementes de cheiro-verde.
O casamento que parou o bairro
Apesar da resistência da família, Josemar insistiu no relacionamento.
Em 2023, o casal oficializou a união. O casamento reuniu parentes, curiosos e moradores que simplesmente queriam testemunhar aquele acontecimento histórico.
A festa teve churrasco, bolo de macaxeira, refrigerante e música até altas horas.
Segundo testemunhas, foi o assunto mais comentado do bairro naquele ano. “Parecia final de campeonato”, recordou um convidado.
A amizade inesperada com Sônia
Meses depois do casamento, os moradores começaram a notar a aproximação de Pedrita com uma vizinha chamada Sônia Machado, de 72 anos. As duas passaram a conversar diariamente na calçada.
Logo estavam fazendo compras juntas. Depois começaram a aparecer juntas em festas da comunidade. Ninguém imaginava que aquela amizade renderia tanto assunto.
A fuga que chocou a Zona Leste
O episódio aconteceu após uma celebração religiosa em 2024. De acordo com testemunhas, enquanto os participantes se despediam na frente da igreja, uma motocicleta antiga surgiu na esquina.
Sônia assumiu a direção. Pedrita subiu na garupa. As duas usavam óculos escuros e carregavam malas. Antes de partir, Pedrita teria apenas acenado para os presentes. A motocicleta desapareceu levantando poeira.
Foi a última vez que o bairro viu as duas.
Bilhete deixa Josemar em lágrimas
Ao retornar para casa, Josemar encontrou um bilhete deixado sobre a mesa.
Segundo familiares, a mensagem dizia: “Josemar, você é uma boa pessoa, mas preciso seguir novos horizontes. Sônia me despertou novos sentimentos e ela tem os mesmos gostos que eu. Cuida da bucha e do sabão de coco.”
O texto ainda continha instruções sobre uma planta do quintal e recomendações para não esquecer de fechar a torneira do tanque. Josemar ficou inconsolável e o “corno” mais mal falado do bairro.
A frase de dona Marivona que virou meme
Derrotado emocionalmente, Josemar voltou para a casa da mãe. Ao vê-lo chegar carregando uma mala e chorando, dona Marivona preparou um café forte e ouviu toda a história.
Quando o filho terminou o relato, ela respirou fundo e respondeu:
“É por isso que me recusei a pisar nesse casamento. Meu filho, eu passei dois anos tentando te avisar.”
Em seguida, levantou da cadeira, apontou para o horizonte e completou: “Quando a vida resolve fazer uma pegadinha, nem o roteirista da novela consegue acompanhar.”
A frase rapidamente virou meme entre parentes e vizinhos.
Paradeiro continua desconhecido
Até hoje ninguém sabe onde Pedrita e Sônia estão. Alguns garantem que as duas abriram uma lanchonete na fronteira.
Outros juram que elas percorrem a América do Sul de motocicleta. Enquanto isso, Josemar segue tentando reconstruir a vida.
Já no Grande Vitória, uma certeza permanece: ninguém jamais superará a história da mulher comparada ao Leôncio, do marido mais apaixonado da Zona Leste e da fuga de moto que entrou para o folclore do bairro.
*Nome usado para preservar identidade dos entrevistados.
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