Veado fofoqueiro, loteria e “chifre”: idoso revela segredo absurdo guardado desde 1984 no interior do AM

“O veado sabia mais da minha vida do que eu mesmo”, diz Severino

Interior do Amazonas – Uma história que mistura magia, fofoca, loteria, traição, ciúme, parentes invejosos e um veado falante veio à tona esta semana após um idoso conhecido apenas pelo nome de Severino* decidir quebrar um silêncio de mais de 40 anos.

Hoje com 102 anos de idade, o amazonense afirma que sua fortuna nasceu de um encontro inacreditável ocorrido em 1984, quando ele tinha 60 anos e vivia uma vida simples em uma comunidade isolada no interior do estado.

A revelação foi feita em entrevista exclusiva à repórter Lady Galinha, do Portal Carlos Araújo.

Segundo Severino, tudo começou numa manhã em que ele caminhava pela mata em busca de lenha.

“Eu era pobre de fazer dó. Minha carteira tinha mais vento do que dinheiro. Quando eu abria ela, até os mosquitos iam embora decepcionados”, contou, gargalhando.

O resgate que mudou tudo

Naquele dia, Severino ouviu um barulho estranho vindo de uma área fechada da floresta.

“Parecia um bicho reclamando da vida. Quando cheguei perto, vi um veado preso numa armadilha de aço.”

Mesmo sem conhecer o dono da armadilha e correndo o risco de arrumar confusão, ele resolveu libertar o animal.

“Passei quase meia hora tentando abrir aquilo. Quando consegui, o bicho levantou e ficou me encarando.”

Foi então que aconteceu algo que até hoje ele afirma jamais esquecer.

“O veado limpou a garganta e falou: ‘Obrigado, compadre’.”

Severino conta que caiu sentado no chão.

“Eu achei que tivesse enlouquecido.”

“Me chamo Raimundo”, disse o veado

Segundo o relato, o animal se apresentou com toda a naturalidade.

“Ele falou: ‘Meu nome é Raimundo. Sou um veado mágico e estava testando a bondade dos humanos’.”

Ainda sem acreditar no que estava ouvindo, Severino diz que perguntou se estava sonhando.

“O bicho respondeu: ‘Não está sonhando não. E antes que pergunte, também não bebeu cachaça suficiente para imaginar isso’.”

A partir daí começou uma conversa que teria durado quase duas horas.

E foi nesse momento que Raimundo revelou seu verdadeiro talento.

Ele não era apenas um veado mágico.

Era também um fofoqueiro profissional.

As fofocas que abalaram Severino

“O Raimundo começou a contar coisas da minha vida que ninguém podia saber”, disse o idoso.

Segundo ele, o cervo falou primeiro sobre alguns parentes.

“‘Severino, teu primo fala mal de ti em toda roda de conversa. Quando tu sai, ele diz que tu és mais teimoso que jumento empacado.”

O idoso afirma que ficou chocado.

“Era verdade.”

Mas o pior ainda estava por vir.

“‘Tenho outra bomba! Prepare seu coração’, disse o veado.”

Severino conta que o animal fez uma pausa dramática.

“‘Tua mulher anda recebendo visitas suspeitas do leiteiro.'”

“Eu quase caí duro”, lembrou.

Segundo ele, Raimundo ainda acrescentou:

“‘O leite que ele dá é outro tipo de ‘leite’, querido. Parabéns!”

Severino diz que passou vários minutos sem conseguir falar.

“Eu estava recebendo informação demais para um homem só.”

A cunhada apaixonada e outras revelações

Quando Severino pensou que o assunto havia terminado, Raimundo continuou.

“‘Tua cunhada tem uma queda por ti desde a festa de São João de 1978. Quando ela entra no quarto, bate altas ‘siriricas’ pensando em você. Eu, se fosse você, largava a puta da tua mulher e pegava a irmã dela.”

O idoso conta que ficou vermelho.

“‘E aquele compadre que vive pedindo dinheiro emprestado? Não pretende devolver nem um centavo. Ele é mais ‘veado’ que eu e sustenta um bofinho de 20 anos em Manaus, escondido da mulher dele.”

Segundo Severino, o veado parecia possuir um arquivo completo da vida de toda a comunidade.

“‘Aquele vizinho que te chama de amigo? Vive dizendo que tua canoa é feia. Que você é um brocha'”

“‘O presidente da associação pegou escondido três galinhas da festa comunitária.'”

“‘O homem que vive pregando honestidade anda escondendo farinha na casa da sogra.'”

“Parecia rádio comunitária da floresta”, recorda Severino.

A recompensa mágica

Após despejar uma verdadeira avalanche de fofocas, Raimundo teria finalmente chegado ao assunto principal.

“‘Agora vamos falar de coisa séria’, disse ele.”

De acordo com Severino, o veado então olhou para os dois lados para garantir que ninguém estivesse ouvindo. “‘Vou lhe dar seis números. Eles vão mudar sua vida.'”

O idoso afirma que anotou os números num pedaço de papel amassado.

“‘Mas por que eu?’, perguntei.”

E Raimundo respondeu: “‘Porque você escolheu ajudar alguém sem esperar recompensa. Além disso, você ouviu minhas fofocas sem me interromper.'”

O prêmio que o transformou em milionário

Mesmo desconfiado, Severino decidiu fazer uma aposta. Dias depois veio o resultado. Ele havia acertado tudo. Segundo seu relato, o prêmio ultrapassou a marca de 1 bilhão de cruzeiros, uma fortuna colossal para a época.

“Quando anunciaram o resultado, achei que estavam brincando comigo.”

Ele afirma que precisou sentar. “Meu coração acelerou mais do que motor de rabeta descendo correnteza.” A notícia se espalhou rapidamente. Mas ninguém jamais descobriu a verdadeira origem dos números.

Uma vida de tranquilidade

Passadas mais de quatro décadas, Severino afirma que ainda vive no interior amazonense. O município permanece em segredo. “Se eu disser onde moro, aparece gente querendo saber dos números e procurando o Raimundo.”

Segundo ele, a fortuna foi investida e continua rendendo até hoje.

“Eu vivo dos juros. O dinheiro trabalha e eu descanso.”

O destino de Raimundo

Lady Galinha perguntou se ele voltou a encontrar o famoso veado mágico.

Severino respondeu que apenas uma vez. “Uns anos depois eu vi um veado me observando na beira do mato.”

Ele garante que era Raimundo. “O bicho piscou para mim e desapareceu.”

Antes de encerrar a entrevista, Severino deixou uma última reflexão. “Naquele dia eu aprendi duas coisas. A primeira é que fazer o bem vale a pena. A segunda é que, se um veado começar a falar com você, prepare-se. Porque ele pode trazer uma fortuna ou uma fofoca capaz de acabar com a paz da família inteira, já que joguei, depois, toda a ‘merda’ no ventilador”, finaliza.

*Nome usado para preservar a identidade do entrevistado.

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Lady Galinha, a ave do povo, é colunista de "Portal do Carlos Araújo". É blogueira e doida, além de não binária.

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