Além de dar “pino” em alugueis, era acostumado a conseguir dinheiro na arte da sedução e todo tipo de comportamento desonesto. Ele revelou tudo a repórter Lady Galinha.
Manaus (AM) – Acostumado a dar o “pino” em todos os lugares que morava, o autônomo Raimundo Rola*, 34 anos, afirma ter vivido uma situação que o fez repensar a vida, ser uma pessoa melhor e começar a honrar suas dívidas.
Ele recebeu a repórter Lady Galinha, em localização que não pode ser revelada, em Manaus, para contar a história como testemunho de que o famoso clichê “o crime não compensa” é verdade.
Novo e picareta
Natural de Tefé (município distante 524 km de Manaus), Raimundo afirma ter aplicado o primeiro golpe aos 18 anos, quando solicitou a um mercadinho local uma cesta básica, alegando que pagaria no “famoso” fim do mês. “Eu já tinha o extinto malino e nunca paguei. Dei um ‘pino’ no mercadinho e o dono foi procurar meu pai, que pagou a dívida, mas me deu umas duas ‘cinturãozada’s”, conta.
Aos 23 anos, Raimundo inventou para família que iria morar em Manaus, pois tinha conseguido uma oportunidade de emprego. No entanto, as coisas eram bem diferentes do que afirmara. “Eu tinha me envolvido com uma mulher casada, que me mandava dinheiro e , também, com o marido dela. ‘Comia’ os dois e um não sabia do outro. Todos dois me mandavam grana. Com o dinheiro, aluguel um quarto em Manaus. ‘Comi’ os dois ainda um bom tempo, até que já tinha ‘sugado’ bastante e os descartei. Até hoje, um não sabe da ‘patifaria’ do outro”, revela.
Detalhe, nos primeiros dois anos na capital amazonense, conseguiria um emprego em uma fábrica no Distrito Industrial, mas fugiria sempre de pagar o aluguel, se mudando de noite e enganando os donos das quitinetes alugadas.
“Foram cinco vezes que me mudei de noite! Quando percebia que chegava o limite da cobrança, porque pagava só o primeiro mês, depois, enrolava, arrumada as malas e dava o fora”, diz.
Calote
O único dinheiro que Raimundo “tirava” do bolso era com alimentação, quando não conseguia pendurar dívidas com mercadinhos e, depois, fugir. “Era uma pessoa de má índole, mesmo. Malandrona, não queria gastar com nada e, se dissessem até que ganharia dinheiro abrindo a boca olhando pro céu, fazia”, afirma o autônomo.
Em um dos seus últimos “trambiques”, o homem conta que fazia pequenos ‘bicos’ de jardinagem em uma residência de alto padrão na zona Sul da capital amazonense e que ‘piscava’, todos os dias, para a esposa do dono do imóvel. “Percebi que era uma mulher meio carente e bem de recursos. Foi quando comecei a investir. Não demorou muito, tivemos um caso escondido do marido dela e comecei a ganhar do par de tênis, a certas quantias em dinheiro. A coisa terminou quando ele começou a suspeitar e eu sumi. Nem ela e nem eu queríamos problemas. Foi uma relação ‘comercial’, por assim, dizer”.
Dinheiro no bolso, mas malícia na mente
De tanto enganar as pessoas e usar de toda sorte de artimanhas moralmente questionáveis, Raimundo conseguiu, dessa vez, acumular uma quantia considerável em dinheiro. “Além de considerável, dava para ficar um bom tempo passando bem. Só não podia aparecer em certos bairros”. O próximo passo, foi alugar uma residência em um bairro de padrão classe média, na zona Norte de Manaus.
“A casa era muito bonita. Tinha dois quartos, sendo uma suíte, garagem, sala de estar, jantar, varanda e dois pisos. O quintal que não era murado, mas tinha uma cerca de arames farpados numa altura considerável. Era meio estranho ter cerca em um bairro de um padrão melhor, mas enfim”, relata.
Enrolando
Como sempre, o primeiro mês do aluguel foi depositado. Depois, a “enrolação” começou. “Um valor meio alto, mas ainda estava bem, financeiramente. Com três meses, o dono do imóvel já estava no limite e eu pretendendo arrumar minhas coisas, de noite, e dar no ‘pé’. Só que, no dia que pretendia fazer isso, percebi que ele tinha montado ‘ronda’ na porta de casa, esperando amanhecer o dia para me cobrar ou me daria uma surra daquelas”, diz.
Rasgando o “rabo”
Raimundo só poderia fazer duas coisas. Ou abria a porta e encarava a situação em que ele mesmo havia se metido ou fugia. A escolha? Certamente, para seus padrões picaretas, foi a fuga. “Corri para o quintal e joguei a primeira mala por cima da cerca, depois, a segunda. Então, coloquei uma escada perto dela e pensei: ‘vou subir e, de cima, dou um pulo e caiu do outro lado, escapando da cerca'”, revela.
Todavia, não imaginava o sumário picareta que a lei do retorno estava em “seu” encalço. “Quando me preparei para pular, já do alto da escada, deu uma ventania muito forte e acabei me desequilibrando”.
A queda não poderia ser mais violenta. Raimundo cai de pernas aberta, em ângulo de 180 graus, de “bunda” totalmente “entregue” na cerca de arames farpados. “Não sabia se gritava, se chorava, porque fugir não tinha como. Senti todo o ‘buraco’ do ‘c#’ ser rasgado por um dos arames e o sangue jorrar na cerca. Eu estava de ‘short’ e sem cueca”.
O homem não conseguiu mais fugir e ainda foi pego pelo dono do imóvel. ” A vergonha foi muito grande! Toda vizinhança vendo eu ser resgatado, até com alicate sendo usado para separar meu ‘rabo’ da cerca. No hospital, outra vergonha. Todos rindo, claro, implicitamente”, comenta.
Castigo
Raimundo passaria por procedimentos para conseguir salvar o que restou do ânus, alguns dias internado e uma rotina de cuidados diários, incluindo muita dor ao sentar e até o uso de um travesseiro, por conta própria. “Eu fazia cocô, gritava de dor. Parecia que estava revivendo o ‘rasgo’ de novo. Sofri demais. Depois, tive que pagar não só o dono da casa, mas todo mundo que soube e veio atrás de mim. Paguei até a última cesta básica que devia”, afirma.
Conversão
Hoje, 09 anos depois, Raimundo Rola revela ter se convertido a uma denominação religiosa e ser uma nova pessoa. No entanto, seu aparelho anal jamais foi o mesmo. “Cara, sou uma pessoa diferente. Honesto, trabalhador, respeito os relacionamentos das pessoas e não devo mais nada há ninguém. Antes de um boleto vencer, já estou pagando. Acho que foi castigo divino e um alerta para eu ser uma nova criatura. Apesar disso, ficou uma enorme cicatriz no lado direito da minha bunda e dói, vez em quando. Creio que isso é para me lembrar que ser desonesto não compensa”, finaliza.
*Uma reportagem original: Lady Galinha
*Nome usado para preservar identidade da personagem.
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