História inusitada começou com o desaparecimento de uma prótese dentária e terminou com uma reviravolta amorosa que surpreendeu até a equipe do Portal do Carlos Araújo, na coluna da Lady Galinha
MANAUS (AM) – Uma história improvável movimentou a redação do Portal do Carlos Araújo na noite desta quinta-feira (24/07). Um aposentado identificado Francisco Beraldo, de 67 anos, procurou espontaneamente a equipe para relatar um episódio que, segundo ele, mudou completamente sua vida.
Vestindo camisa florida, chapéu de palha e segurando uma pequena caixa de plástico onde guardava sua dentadura, Francisco pediu para conversar, exclusivamente, com a repórter Lady Galinha.
“Pode escrever tudo. Eu já escondi essa história por tempo demais. Me descobri na terceira idade, estou feliz e satisfeito”, declarou.
Segundo o aposentado, tudo começou durante um passeio pela Praia da Ponta Negra, em fevereiro deste ano.
Depois de tomar um tacacá, ele contou uma piada para um grupo de turistas. A gargalhada foi tão intensa que a dentadura escapou da boca e desapareceu na areia.
“Na hora eu achei que tinha engolido, porque isso já me ocorreu umas duas vezes. Depois percebi que quem foi embora foi meu sorriso.”
Buscas mobilizam curiosos
Francisco contou que passou quase cinco horas procurando a prótese.
“Olhei embaixo dos bancos, perto dos quiosques, na areia e até dentro de uma caixa de isopor de um vendedor de picolé. Fui até aquele banheiro pago da praia e pensei que tinha deixado cair no vaso sanitário, no momento em que fui obrar”
Sem encontrar qualquer pista, voltou para casa desanimado.
“Passei a noite tomando sopa e pensando na falta que aqueles dentes faziam.”
Na manhã seguinte, decidiu retornar ao local para fazer uma última tentativa.
Foi quando avistou um jovem conhecido na região como Varão da Ponta, um moreno atlético de 21 anos que recolhia latinhas pela orla.
O detalhe que chamou atenção foi o sorriso.
“Quando ele abriu a boca, reconheci minha dentadura imediatamente.”
“Eu achei que era um presente”
De acordo com Francisco, Varão contou que havia encontrado a prótese parcialmente enterrada na areia. “Ele disse que lavou bem, desinfetou e experimentou. Ela ainda serviu direitinho na boca dele. Me disse que tinha pensado ser um presente do destino, porque não gostava de escovar os dentes desde que nasceu e acabou perdendo todos, bem novo”, disse o aposentado.
Em vez de discutir, Francisco conta que sentiu um tesão muito forte pelo jovem, ao notar seu corpo extremamente atlético, talhado pelo trabalho pesado e o sol de manauara. Acabou que convidou o rapaz para tomar um café.
A conversa, disse Francisco, durou horas.
“Ele tinha um jeito simples, educado e um sorriso que me conquistou desde o primeiro instante. Eu pensei que fosse homem com ‘H’. Jamais pensei que me sentiria atraído por outro macho, mas rolou e não me senti ruim com isso”, afirmou o aposentado.
Encontros diários
Depois daquele dia, os dois passaram a se encontrar todas as tardes na Ponta Negra, escondidos da mulher de Francisco, a dona de casa, Marivalda Beraldo, de 60 anos.
Caminhadas, cafés, peixe assado, tacacá e longas conversas fizeram parte da rotina, até o aposentado descobrir novos prazeres.
“Não aguentei. Paguei um motel e lá dei a bunda a primeira vez. Nunca imaginei que era tão maravilhoso e me viciei no Varão”, conta o idoso.
“Minha filha, sou ‘viado'”
Algumas semanas depois, Francisco afirmou ter tomado a decisão mais importante da vida.
“Percebi que estava vivendo uma felicidade que nunca tinha sentido. Resolvi encerrar meu casamento com Marivalda, já que não estava sendo honesto com ela e queria mesmo era dar, dar, dar, como se não houvesse amanhã”, desabafa o homem.
Segundo ele, a decisão foi tomada de forma respeitosa.
“Quando a gente entende que o coração mudou de direção, o melhor é agir com sinceridade. Cheguei na lata: minha filha, sou ‘viado'”
Varão resumiu o momento em poucas palavras.
“Eu nunca procurei isso. Apenas aconteceu.”
Dentadura e casa nova
Como primeiro gesto após o início da nova vida, Francisco levou Varão até uma clínica odontológica. Pagou uma dentadura feita sob medida para o “boy”.
“Agora cada um tem seu próprio sorriso. A coisa fica boa é quando eu tiro a chapa de noite e mando ver nele.”
Os dois também passaram a dividir a mesma casa.
“Ele encontrou minha dentadura. Eu encontrei alguém para dividir a vida, meu ‘Varão’ valoroso”, disse Francisco, dando leves risadinhas e puxando o elástico do que parecia ser uma calcinha por dentro da calça.
Repercussão
Desde que a história chegou à redação do Portal do Carlos Araújo, a equipe recebeu dezenas de mensagens de leitores “boquiabertos” com a coincidência que deu início ao relacionamento.
Lady Galinha resumiu o caso com bom humor.
“Em todos esses anos de reportagem, já ouvi histórias de todo tipo. Mas essa foi a primeira vez que uma dentadura apareceu como cupido e algúem saiu do armário dessa forma, mostrando que o amor não tem idade.”
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