Ex-prefeito e presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM) afirma que estava na fila para votar com a família e que apenas cumprimentava eleitores; após ser conduzido à delegacia, ele foi liberado
O ex-prefeito de Rio Preto da Eva e atual presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, contestou a acusação de suposta boca de urna que resultou em sua condução à delegacia durante a votação do primeiro turno das Eleições 2026, no domingo, 4 de outubro.
Em um vídeo divulgado após ser liberado, Anderson apresentou sua versão sobre o episódio e afirmou que estava no local de votação acompanhado da esposa e dos dois filhos gêmeos para exercer o direito ao voto.
Segundo ele, a situação começou quando pessoas que o conheciam se aproximaram para cumprimentá-lo e também falar com sua esposa.
“Fui tolhido do meu direito de cidadão”
Anderson afirmou que não realizou qualquer atividade de campanha e que não conseguiu compreender qual teria sido o crime eleitoral cometido.
“Eu fui tolhido de exercer o meu direito de cidadão, de poder ir às urnas e votar”, afirmou.
Segundo o ex-prefeito, a presença de pessoas que se aproximavam para abraçá-lo e cumprimentá-lo teria sido interpretada como tumulto no local de votação.
“As pessoas estavam indo me abraçar, estavam indo beijar a minha esposa, cumprimentar.”
Anderson destacou ainda que possui uma longa trajetória política e administrativa em Rio Preto da Eva, onde já foi professor, diretor de escola, secretário de Educação, secretário de Administração e vice-prefeito, além de ter ocupado três vezes o cargo de prefeito.
Para ele, a relação construída ao longo dos anos explica a aproximação espontânea de moradores no local de votação.
Anderson questiona acusação
O presidente da AAM afirmou que ainda não conseguiu identificar qual conduta teria caracterizado a suposta boca de urna.
“Até o momento, eu não consegui entender qual é o meu crime eleitoral, qual foi o meu crime eleitoral.”
De acordo com Anderson, o comandante da Polícia Militar teria comunicado à juíza responsável pelo local de votação que havia tumulto. Ele afirma que, posteriormente, foi abordado para ser levado à delegacia.
O ex-prefeito também contestou a narrativa apresentada sobre a ocorrência e afirmou que a versão levada à Justiça Eleitoral apresentava contradições.
“Criou uma verdadeira fantasia”, afirma Anderson
No vídeo, Anderson criticou a forma como a ocorrência foi conduzida e afirmou que a versão apresentada pelo comando da Polícia Militar não correspondia ao que, segundo ele, havia acontecido no local.
“O comandante da Polícia Militar de Rio Preto da Eva, ao pedir da juíza autorização para que eu pudesse ser conduzido à delegacia, ele criou uma verdadeira fantasia.”
Anderson disse que foi ouvido pela juíza responsável pelo pleito e pela promotora e que, após apresentar sua versão, acabou sendo liberado.
“Eu fui ouvido pela juíza, fui ouvido pela promotora e conseguiram entender, através da minha versão também, que havia contradição. E por isso eu fui liberado.”
Após a liberação, segundo Anderson, ele seguiu com a família para acompanhar a comemoração do resultado eleitoral.
Anderson também relaciona episódio a cobranças dos municípios
Durante o pronunciamento, o presidente da AAM aproveitou para retomar uma pauta que vinha sendo discutida pelos prefeitos amazonenses antes da eleição: os repasses estaduais destinados aos municípios.
Anderson afirmou que prefeitos e secretários municipais de Saúde haviam cobrado o Governo do Amazonas por supostos atrasos no Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas, o FTI, e no Termo de Compromisso de Gestão, o TCG.
Segundo Anderson, a situação estaria afetando diretamente os municípios e, principalmente, a prestação de serviços de saúde.
Ele afirmou que os prefeitos pretendem recorrer à Justiça para cobrar o cumprimento dos compromissos relacionados aos repasses.
Presidente da AAM recebe manifestações de solidariedade
No início do vídeo, Anderson agradeceu às pessoas que enviaram mensagens e telefonaram após a ocorrência.
“Quero agradecer a solidariedade, o carinho, as mensagens que eu recebi de cada um de vocês, os telefonemas.”
O episódio também repercutiu entre prefeitos e integrantes do movimento municipalista do Amazonas.
O que diz a Polícia Militar
A Polícia Militar apresentou uma versão diferente da ocorrência. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, a corporação foi acionada após uma denúncia de suposta prática de boca de urna e Anderson teria sido retirado do local por determinação da Justiça Eleitoral.
A SSP-AM informou ainda que, durante a abordagem, teria ocorrido uma agressão contra um policial militar, motivo pelo qual Anderson foi conduzido à delegacia. A versão, no entanto, é contestada pelo ex-prefeito, que nega ter cometido crime eleitoral e questiona a narrativa apresentada sobre sua condução.
Anderson foi liberado após prestar esclarecimentos à Justiça Eleitoral.
Vídeo:
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